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sábado, 22 de outubro de 2011

Futura revisão da troika anima banca portuguesa





Há no sistema financeiro português a expectativa de que a próxima revisão do programa de assistência ao país, em meados de Novembro, traga boas notícias.
A ideia, segundo banqueiros ouvidos pelo SOL, é que a troika reconheça valor nas medidas adoptadas pelo Governo, nomeadamente, na área do Sector Empresarial do Estado (SEE), para estancar custos e o descontrolo de gestão. E isso pode fazer com que a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) aceitem o adiamento do cumprimento de medidas contidas no programa da assistência, ou renegociar prazos do ajustamento orçamental, atrasando, por exemplo, a meta para o défice por mais um ano ou dois.
O Plano Estratégico dos Transportes, que implica a fusão de várias empresas públicas, é um dos trunfos apontados por uma das fontes, que realça a elevada exposição a que os bancos portugueses têm estado sujeitos, sobretudo nos últimos meses.
As instituições financeiras que mais apoio têm dado ao SEE nos últimos meses, no seguimento do repto do Governo, são a CGD, o BCP, o BES e, menos, o BPI, apurou o SOL. O Santander Totta tem exigido mais contrapartidas por ter origem estrangeira.
A própria troika, segundo relata outro banqueiro, já se terá dado conta de que pode ter cometido um erro de apreciação quando o programa foi desenhado, tendo descurado o SEE. Neste processo, aponta, o sistema financeiro quase não foi ouvido pelos credores externos.
A renegociação do programa de assistência externa poderá ser feita de várias formas, mas duas estão praticamente descartadas: o reforço financeiro do pacote para além dos 78 mil milhões de euros, ou a existência de um segundo programa, como sucedeu na Grécia, diz fonte próxima da troika.
A canalização de mais verbas para Portugal seria uma medida politicamente difícil de tomar em Bruxelas no seio da actual crise da Zona Euro, onde a recapitalização da banca europeia, a reestruturação da Grécia e evitar o contágio à Itália e a Espanha são prioridades. A reacção imprevisível dos mercados ao envio de mais dinheiro a Portugal é outro factor de impedimento, refere.
Segundo a mesma fonte, Bruxelas e o FMI quererão encontrar um ‘ponto de equilíbrio’ que permita uma consolidação orçamental, mas cuja a dimensão da austeridade não ameace «parar» a economia e o país, como sucedeu na Grécia.
Mantendo-se o nível de austeridade, o ‘alívio’ dos prazos de consolidação orçamental geraria receitas extra necessárias para capitalizar as empresas públicas, por exemplo, e pagar as dívidas à banca – sob maior pressão desde que os estrangeiros cortam no crédito ao SEE.
O FMI já se mostrou disponível para flexibilizar regras em prol do crescimento da economia – por exemplo, aceitar medidas extraordinárias em 2012 – e em Bruxelas existe a noção crescente de que Portugal poderá não cumprir as metas orçamentais já em 2011 – o comissário europeu para os Assuntos Económicos, Olli Rehn, disse-o esta semana – e que será necessário suavizar os prazos do programa para este ter algum sucesso.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Foi finalmente conhecido o memorando de entendimento entre o Governo Português e a Troika. Nele estão descritas as 34 medidas de austeridade que Portugal vai ter de implementar nos próximos anos. Fica a saber exactamente de que se trata.



  1. Acordo abre porta a subida dos bilhetes dos comboios
  2. Equipas especiais de juízes para processos fiscais acima de um milhão de euros
  3. Tabaco e automóveis com mais impostos
  4. Empresas vão poder pagar menos por horas extraordinárias
  5. Acordo impõe aumento da concorrência nas telecomunicações
  6. Corte na despesa com Saúde chega a 550 milhões de euros
  7. Bancos de horas negociados directamente com trabalhadores
  8. “Falsos” trabalhadores independentes passam a ter apoio no desemprego
  9. Subsídio de desemprego passa a ser declarado no IRS
  10. ‘Troika’ exige cortes na ADSE
  11. Despedimento individual por justa causa vai ser ajustado
  12. ‘Golden shares’ do Estado são para eliminar até Julho
  13. Taxas moderadoras aumentam e atingem mais portugueses
  14. ‘Troika’ quer incentivar arrendamento
  15. Portugal tem mais tempo para cortar défice mas não evita dois anos de recessão
  16. Novo aeroporto sem fundos públicos e TGV Lisboa-Porto suspenso
  17. ‘Troika’ quer aumentar IVA na factura da electricidade
  18. Menos oito mil funcionários públicos por ano
  19. Patrões descontam menos para a segurança social
  20. Proprietários de casa serão penalizados com mais IMI
  21. Mais cortes na Transtejo e no Metro de Lisboa colocam serviços em risco
  22. BPN será vendido até Julho e não tem preço mínimo
  23. Governo tem 12 mil milhões para injectar nos bancos
  24. Desempregados só vão ter subsídio durante 18 meses
  25. TAP, EDP e REN para privatizar na totalidade este ano
  26. Redução de pessoal no Estado é para continuar
  27. Pensões acima de 1.500 euros vão ser cortadas
  28. Acordo não prevê redução de salários nem corte nos subsídios de férias e Natal
  29. Troika cobre 100% das necessidades de financiamento em 2011
  30. Objectivo do défice para 2011 fixado em 5,9%
  31. CGD deve aumentar capital com recursos próprios
  32. ‘Troika’ quer definir critérios específicos para extensão de portarias
  33. Eliminação de serviços gera poupança de 500 milhões
  34. Empresas do Estado têm que poupar 515 milhões de euros